quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Antepassados.



                 Olá, eu sou um ser humano. Existem bilhares de mim no planeta onde eu vivo. Aqueles que já viveram e morreram aqui neste planeta são chamados de antepassados, são os que viveram antes de nós e fazem parte do nosso passado. Eu diria que fazem, e muito, parte do nosso presente.

                 Meus antepassados eram muito curiosos. Eles aprenderam e catalogaram tudo o que julgaram necessário; nomearam animais, e paisagens. Desenharam linhas imaginárias que decidiram chamar de fronteiras, e através destas, os que cruzassem não seriam bem vindos. Estes, por morar do outro lado das linhas imaginárias seriam diferentes. Meus antepassados separaram outros de mim por cor, ou pela crença. Os mesmos que matavam outros por acreditarem no deus sol, também eram mortos por terceiros por ter na deusa lua.

                 Hoje em dia eu olho ao redor, e vejo seres pensantes que se julgam superiores por ter um cérebro maduro e desenvolvido com relação à outros animais. Mesmo assim, os humanos que eu convivo falham em conceitos éticos de morais básicos para uma existência saudável. Será mesmo que podemos olhar para trás e chamar nossos antepassados de primitivos? Nós, que ainda resistirmos em respeitar outros humanos apenas por quererem parceiros que tem o mesmo sexo biológico que eles? Nós, que ainda somos separados por grupos, cada qual que acredita em um ser imaginário e superior? Nossos antepassados primitivos se mantém vivos conosco, fazem mais parte do nosso presente do que nunca.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Então, é natal?



          Diferente do que muitos pensam, o natal não simboliza o nascimento de um messias cristão, o capitalismo, nem tão pouco as cores da coca-cola impressas no papai noel. Gostaria que todos lessem o texto de forma razoável, levando em conta que todos os argumentos podem ser interpretados para mais ou para menos, visto que muitos dos registros históricos que eu busquei são baseados em traduções e interpretações seculares e milenares.

Até hoje em dia existe uma problemática sobre a data exata do nascimento de cristo. Nem mesmo as escrituras sagradas tem o tal nascimento gravado. Logo, eu imagino que deus não queria que este dia fosse lembrado como algo costumeiro, tanto que ele nem se deu ao trabalho de inspirar os escolhidos que escreveram as escrituras para falar sobre o assunto. 

"... havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho."  (Lucas 2:8). Perto de dezembro, os pastores já iniciaram a retirada dos seus cavalos dentre outros animais do pasto. E a própria bíblia fala em Cant 2:1 e Esd 10:9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frígidas noite, no campo. É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1).

           Bom, então, se Jesus existiu, ele não nasceu em dezembro. Ou, se foi em dezembro, nasceu em outro local. O que se sabe de acordo com registros históricos é que em dezembro celebrava-se uma famosa festa em homenagem ao sol. Tal festa, era conhecida pelos romanos como Saturnal. A mesma era uma festa de prazeres carnais desenfreados, usando termos bem educados para descreve-la. Claro que uma festa dessa nunca iria perder para o interesse da igreja, visto que os desejos carnais do ser humano quase sempre prevalecem. Então, não menos inteligente do que sempre foi, a igreja conseguiu inserir ícones, nomes e certos costumes cristãos dentro das festas pagãs. Isso seria a base do que hoje conhecemos como natal, e que só foi ordenado pela igreja que se comemorasse por volta do ano 440 D.C.

             Hoje, em pleno século XXI, o projeto de adaptação cristã do paganismo tornou-se uma adaptação comercial do cristianismo. Então, o que você comemora de fato? Particularmente, gosto de me reunir e tomar vinho. Quando pedem, eu fecho os olhos e finjo que oro.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Insight - Feito especialmente para o Brasil.



Em algum escritório de luxo próximo da cobertura dois diretores tomavam decisões. Não vou dar-lhes nomes, vou direto ao assunto. O que eles acham que nós, Brasileiros, somos? Um lixo. Eu não os crítico, faz sentido, nos comportamos como tal.

- Vamos lançar o novo projeto mês que vem. Aposto que o índice de aceitação vai ser altíssimo!
- Como pode afirmar com tanta certeza?
- É simples. Brasileiro compra tudo que vem de fora. Usar produto importado no Brasil é algo que gera uma distinção entre classes sociais.
- Eles são um povo interessante. Se nosso país tivesse tudo que o país deles tem, de fato, ultrapassaríamos a atual potência mundial.
- Eu concordo. Como eu ia dizendo, pode empurrar que vai vender.
- O grande problema são as taxas abusivas daquele governo deles, infelizmente nosso veículo chegará lá um tanto diferente.
- Um tanto? Estou enviando os modelos básicos. Nosso modelo básico é vendido como o top de linha deles.
- Agora eu entendi!
- O que?
- O slogan da propaganda.


" Feito especialmente para o Brasil. "

Insight- A copa do mundo é nossa.




Do caralho! Simplesmente do caralho! Nunca vi tanta mulher gostosa reunida! - Gritava um senhor de aproximadamente meio século de vida. Em uma de suas mãos, segurava um copo de alguma bebida quente de uns 17 anos. A empolgação não podia ser menor, hein? Gente bonita, bebida, e comida. Naquela festa, não se falava de aniversário.

Melhor do que um bom churrasco, cerveja e mulher bonita, somente um bom churrasco, cerveja, e mulher bonita com o povo de pagante! O povo não é o nome de nenhum aniversariante. O povo somos nós!

- Eu adoro esse país. Acho muito cantinho na Europa digno de se viver, sabe? Mas eu ia sentir muita falta dessa esculhambação daqui! Quanto ao dinheiro do churrasco, não vai dar merda não?

Do outro lado, um político local respondia de forma seca:

- Claro que não. Estamos na Europa? Aqui é o Brasil. A economia está num momento propício para um benefício da nossa massa. É copa do mundo, meu amigo. Época de festa. - E começou a cantarolar - "A copa do mundo é nossa..."

O pior é que esse personagem que eu criei está certo mesmo. Se o Brasil ganhar? Ninguém vai perceber os milhões que serão desviados. E se perder? Também não.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Insight- no país do futebol, vermes comem caviar.


Terça-feira, 25 de dezembro de 2012


As coisas foram diferentes do previsto. O mundo não acabou! Realmente uma pena para alguns. Para outros 'la felicita' é total. E quem são "alguns"?


            Uma família classe média se juntava na mesa; estava farta, sobrava comida, todos os lugares estavam preenchidos com amigos, parentes e aderentes. Mas, no coração de todos, ainda havia um lugar vazio. De mãos dadas, a boa família cristã iniciou suas orações. No canto da mesa, o caçula da família, em voz baixa, falou à todos: " Papai do céu, obrigado pela comida e pelos amigos. Espero que esteja tudo bem com papai, cuide bem dele. Sei que ele está ai do seu lado. Amém. " O garoto é o Júnior, filho de um bombeiro militar. Sua família mora em São Paulo, e seu pai foi morto injustamente na semana passada. Qual é? Quem é que mata bombeiros? No país do futebol, as pessoas boas sempre pagam o pato.

            Mas, existe um outro lado da moeda. O outro lado da nossa história. Esse lado se chama de "outros", aqueles que tem 'la felicita' com eles.

" Acabei de receber, cara! Estou saindo nesse final de semana, meu pirraia! É nós na fita! " Mais um preso iria passar o final de semana em casa. Seus pais estavam felizes por ter seu lugar preenchido na mesa. Quem foi o filho da puta que pensou em soltar presos no natal para estimular sua ressocialização? Pois é, John vai sair nesse final de semana. Já encomendou uma calibre 38 com os caras lá, lá perto de onde ele mora. Encomendou de dentro de presídio mesmo, via celular ou facebook. John não quer sair pra ver sua família, toda quarta ele come sua esposa na visita íntima. Ele fala constantemente com seus "brothers" pelo face, ou sms mesmo. Ele quer sair pra fazer dinheiro. Na verdade, ele quer fazer o nosso décimo cair na conta dele, via motivos de força maior. Bem maior, afinal, uma 38 faz um belo estrago em quem se recusar.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A origem de um preconceito.


          Cheguei em casa imaginando que cairia na cama e apagaria. Eis que meu cérebro louco novamente me pregou uma peça. Estou pensando nos jornais e na mídia, especificamente, sobre o tema "homo-afetividade". Sabe, tudo precisa ter um começo, meio, e um fim. Sempre que abordam temas que envolvem gays a mídia fala um pouco do que todo mundo já sabe, mas o copo que ela nos oferece, não mata minha sede.

          Eu tento imaginar o princípio de tudo. Sei que sempre existiram casais do mesmo sexo na sociedade, e bem antes dela se formar sociedade. Existem vestígios históricos de que, principalmente entre homens que atuavam nos exércitos, cujas batalhas demandavam muito tempo isolados, atos libidinosos com pessoas da mesma sexualidade era algo não tão fora do comum. Eu posso estar errado, mas gostaria de abrir os pensamentos dos leitores para um texto antigo. Muita gente vai dizer que eu gosto de bombardear os cristãos e a bíblia, mas, eu o vejo como a versão mais antiga e com influência "homofóbica" sobre a sociedade.


Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; 

Levítico 18:22



Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. 

Levítico 20:13


          Também sei que muitos vão falar que são trechos do velho testamento, dentre outras coisas. Não importa. Em algum momento na história esses textos foram seguidos como se a total verdade fossem. Nenhuma outra religião no mundo cresceu como o cristianismo, nenhuma outra tem tanta responsabilidade como tal. Não quero debater religião, costumes, doenças, ou como quer que alguém queira chamar as relações homo-afetivas. 

          Eu detesto terminar algo fazendo perguntas. Mas, gostaria de deixar alguns leves questionamentos para todos.

  • O que é o pecado e quem criou tal termologia?
  • O que é ilicitude?
  • Qual a importância do conceito de céu e inferno na criação de condutas sociais?
  • Como serão as nossas famílias no futuro?
  • Maconha, aborto, e células tronco são mesmo sinais do "fim dos tempos"?
  • Religião x Educação ; um realmente precisa do outro?
  • Homo-afetividade; genética, doença ou problemas espirituais?


sábado, 1 de dezembro de 2012

Pena de desfavorecimento geográfico e cultural.




Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. 

João 14:6


        Eis acima ótimas palavras de conforto para qualquer cristão. É maravilhoso, nesses momentos, ter nascido Brasileiro e católico. Se você também é uma pessoa feliz por morar num país onde quase 90% dos habitantes acreditam em Jesus Cristo como o caminho da verdade e da vida, eu lhe congratulo. Por outro lado, queria apenas convida-lo para uma rápida viagem. Daremos um pulo ali na Índia.

        O que acontece com pessoas num país como a Índia? Do pouco que eu sei de lá, posso afirmar que eles não acreditam em Jesus ou no pai citado no versículo. Partindo da lógica que deus é onisciente e onipresente, o criador do versículo João 14:6, ou seja, Jesus inspirado por deus que também é ele mesmo, já havia planejado o desfavorecimento cultural destes humanos. Ele criou os habitantes da Índia, e permitiu que sua cultura se desenvolvesse sem que existisse naquele local disseminação alguma da palavra Cristã. Dentre muitas divindades, os quase 750 milhões de fiéis do hinduísmo, estão condenados diretamente ao inferno sob pena de " desfavorecimento geográfico e cultural para não crer no cristianismo ".

        É uma realidade dura de aceitar, mas "deus sabe o que faz", ou não. O que me consola é saber que os Hinduístas não vão para o inferno por crer no num deus que não é citado no folclore cristão. Também me tranquiliza o fato de que eles ainda podem exercer sua livre crença em qualquer deus imaginário que eles quiserem. Levando aos extremos, ou vivemos num mundo sem deus algum, ou estamos numa nova Grécia cheia de deuses, cada um com suas funções e preferências. É claro que eu prefiro acreditar, por ausência de provas científicas, que somos os deuses das nossas próprias vontades.