sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Insight- disfarçando tendencias idiotas.


O atelier do nosso artista tem cheiro de bebida. Jogado no sofá, ele não tinha ideia alguma de qual peça iria produzir para seu lançamento de verão. Toda essa cachaça já não lhe serve mais como fonte de inspiração, ele estava ficando velho, e não tinha mais nervos para isso. Falar sozinho, porém, ainda lhe parecia algo costumeiro:

- Eu sei o que eu vou fazer com você, seu pedaço de pano idiota! 

E, em alguns segundos, estava pronto o novo modelo da sua coleção de verão. Um short de vinte reais, que acabara de ter os bolsos rasgados, e colocados para fora.

- Alguém vai usar isso, querido? - Seu ajudante entrava na sala, naquele exato momento. Segurou o short com a ponta dos dedos, como se segurasse um pano sujo, enquanto fez o comentário.
- Depende. Me passa o telefone do empresário daquela menina lá. Acho que ela pode me ajudar. - Respondeu, enquanto enchia mais um copo de cachaça.

Pois é, pois é. Aquela menina era atriz de alguma novelinha popular. Eis a fórmula do sucesso; um pseudo-artista idiota e bêbado, um pedaço de pano de vinte reais, ou menos, um contato interessante, e o tempo. O último ingrediente precisou apenas de dois dias. Após a aparição da garota com o trapo, cem mil unidades foram encomendadas. E ainda nem chegamos na inauguração da coleção de verão.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Princípio da realidade relativa.


               Está com a mão no mouse agora? Seus dedos repousam sobre o teclado? Imagino que seu teclado lhe pareça real, ou não? Você pode ver, distinguir cores nele, pode toca-lo, pode ouvir sons das suas teclas, quando são pressionadas. Porque não seria real? 

              Certo dia eu ouvi um conto. Não lembro quando, onde, e muito menos quem me contou. Existia um filhotinho de elefante na índia, cujo nome não é importante. Se você ficou curioso, posso da-lhe o nome de Abul. Sua mãe foi morta por caçadores, e Abul acabou sendo adotado por um senhor que morava num vilarejo. Para que o elefantinho não fugisse, ele fincou uma estaca qualquer na terra, e, com uma corda, amarrou Abul nela. Todo dia ele era bem cuidado e alimentado, e assim o tempo foi passando. De tempos em tempos, sua corda era substituída por uma maior, apenas para não ficar muito apertada, mas ainda sim, Abul não tinha muita mobilidade para sair e conhecer o mundo. Ficava sempre naqueles mesmos metros quadrados de tempos atrás. Então, Abul se tornou um elefante quase adulto, e perto de seu tamanho e força, aquela cordinha de nada atada numa estaca velha, nada seriam. Mas Abul nunca decidiu ir embora para seguir seus instintos e conhecer o mundo.

          Não por falta de vontade, ou força. Existia um pequeno detalhe que podemos definir como o "princípio da realidade relativa". Abul cresceu acreditando que aquela estaca e uma corda velha poderiam prende-lo ali. E, mesmo com força o suficiente para palitar os dentes, por assim dizer, com aquela estaca, ele nunca conseguiu se libertar de lá. Vamos, então, substituir o nosso elefantinho por um ser humano. O que muitos consideram uma barreira real, que nunca pode ser atravessada, outros nem a visualizam. Existem correntes invisíveis que nos prendem, existem as emoções, perguntas, receios, e as leis, por exemplo. E muitos apenas existem aqui, vivendo de acordo com todas essas estacas e cordas. Talvez seja porque, tal como foi para o senhor que cuidou de Abul, alguém não tenha interesse que você se liberte.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O poder da dopamina contido na palavra "amor".

             A força do amor é resultado a conexão que tal palavra faz conosco. Imagine um conjunto de sintomas, que após muitos anos de estudo, são agrupados e classificados como alerta para uma provável doença no seu organismo. Então, criamos a palavra "diarreia", "gripe", dentre outras. Como gostamos de classificar as coisas, precisávamos de uma denominação que encaixasse toda aquela confusão na cabeça dos machos e fêmeas primitivos. E, que sintomas são esses?

             Quando achamos que estamos caindo em um romance, as áreas do nosso cérebro que estão ligadas à recompensa, ou "vontade de ganhar um prêmio", começam a ter uma atividade um pouco acima do normal. Essas mesmas áreas, são ativadas pelo uso de algumas drogas, ou pelo sabor eminente do chocolate. Interessante, ou confuso? Fica claro pelo uso das palavras, que esse sentimento está ligeiramente ligado ao prazer da recompensa. Acho que deve ser desse ponto em diante, que o nosso corpo começa a liberar hormônios de bem estar, e intensificar nossa relação psicológica com esse outro ser. Ele, o corpo, precisa, de fato, garantir as chances de reprodução e perpetuação da espécie.

                Algumas áreas do cérebro são "desativadas", de certa forma, uma delas responsável pelo medo e a outra pelo pensamento crítico. Esses fatores combinado as áreas ativadas semelhantes as mesmas dos usuários de drogas, resulta num processo de dependência existencial, pelo menos inicial, da outra pessoa. Acabamos sentindo a necessidade de ver o outro, para tomar dele, a próxima dose.

                Bom, se esse sentimento se inicia no cérebro, com atividades anormais em locais específicos onde as drogas também atuam, pensemos bem; a falta desse "amor", pode causar um efeito devastador como a abstinência por drogas? Do meu ponto de vista, pode sim. Já cansei de ver Romeus se jogando de edifícios após o término de uma relação. Deve ser difícil para o nosso cérebro ter essas conexões nervosas interrompidas de forma tão abrupta, enquanto as chances de firmar e transmitir seu DNA para outro parceiro vão pelo ralo dessa forma. Todos os poucos "sintomas" citados a cima, são comuns em quase todos os seres humanos. Logo, não existiria uma palavra tão popular, e de significado tão comum e forte como o "amor".




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando os milhões se tornam tão pouco.

                

               Hoje, eu tenho 23 anos. É algo em torno de 12 milhões de minutos. Acho que isso daria umas 202 mil horas. Porra, são 8 mil e 400 dias de vida. Se você olhar por esse lado, vai entender um pouco o que é viver em paradoxo. Se eu imaginar que vou morrer aos 50 anos, posso até achar que tenho muito tempo.
Mas, quando converto esse número para minutos, é assustador saber que eles passam tão rápido.

Aprendizado ativo ou passivo?

         A informação sempre foi a peça mais valiosa em toda história da humanidade. Antigamente, as pessoas tinham problema para obter informação. Quando eu digo antigamente, não falo na época dos nossos pais. Eu digo antigamente mesmo. Imagine na idade média; existiam bibliotecas enormes, que guardavam a cultura de cada povo. Nem todas as pessoas sabiam ler ou escrever, e existiam contatores de história, que acabavam tendo acesso a certas escrituras, e contando os acontecidos de reino e reino. Nem sempre eles gostavam de ser fiéis, muitos aumentavam bastante o que acontecia, e assim surgiam as lendas. Mas, o que um ditador precisaria fazer exatamente se ele desejasse extinguir uma raça da face da terra? Era fácil direcionar ataques, e omitir informação das pessoas. Era fácil manipular todo mundo. Era fácil roubar todos os livros sobre ervas medicinais, e manter o conhecimento apenas consigo, passando a, por exemplo, cobrar por curas ou consultas. E hoje em dia, como funciona o processo de privação da informação?

          Existe um problema no mundo atual chamado " excesso de informação ". Não existe mais como privar as pessoas de ter acesso a qualquer coisa que elas queiram. Então, a estratégia dos ditadores mudou. Se agora, existe meios que levam a informação de todas as formas, não é preciso nem possível mais privar as pessoas. O ideal é jogar muita, muita informação inútil no meio da vida delas. Desvirtue-as dos seus verdadeiros valores, crie desejos, aspirações e vontades. O título desse post não poderia ser outro. Se você acabar adquirindo informação de forma passiva, infelizmente, não terá muita qualidade em tudo que vai chegar até você. Por muito tempo eu copiei baboseiras que ouvi na TV ou em qualquer outro meio, e sai repetindo por ai, como um papagaio. É o que acontece bastante hoje em dia. 

          Aqueles caras que eu citei lá no começo do post não tinham culpa alguma por sua ignorância, por assim dizer. Nossos pais, por exemplo, trazendo um pouco para um passado mais perto do nosso, eu garanto que eles não tinham acesso a quantidade de informação que temos hoje. Se eu tentar imaginar, enxergo meu pai numa biblioteca, durante a faculdade, utilizando no máximo uma máquina de esquecer. Eu estou tentando dizer que nós temos culpa, se nos tornamos alienados para coisas realmente importantes. Seja alienado para futilidades. Sou à  favor de ser alienado com o sistema, porém, não com as suas causas. Você não precisa, a final, saber quem é o mais novo contratado do flamengo, ou precisa? Precisa mesmo saber quem é o novo namorado da Gisele blábláblá? Não sei. Responda-se.


Insight- ela acha que não faz parte do sistema.

          Anoitecia naquela sexta-feira, e o veterano queria ensinar direitinho ao mais novo integrante do sistema como as coisas funcionavam por ali.

-Observa aquelas duas no carro. -Sibilou ao novato, enquanto fazia sinal com as mãos para o veículo parar.
-Boa tarde, cidadã. Habilitação e documento, por favor.

          Tudo como o veterano imaginou; seguro em dia, habilitação em falta. Aquelas duas pepitas de ouro dirigindo o carrão do papai, talvez fosse escondido, talvez não. Tinha cheiro de merda no ar, mas, dependendo das duas, aquela situação poderia se converter na cerveja do fim de semana. 

-Bom, senhoritas, creio que temos um problema aqui.

          O novato observava tudo calado, perto da janela do carro, com uma caderneta em mãos. Do lado de dentro, a garota no volante soltou os cabelos. Retirou o óculos escuro, e colocou novamente a mão na bolsa.

-Não existe alguma maneira, senhor, de revertermos esse mal entendido? Sabe, não queria problema com meu pai, nem beber nós bebemos hoje. 

          Toda aquela sensualidade não seria por acaso. Em mais alguns minutos de conversa, o dinheiro caiu acidentalmente no bolso da lei. Motores ligados, sorrisos de ambos os lados, aquela história que terminara por ali não tem apenas dois lados. Existe um sujeito oculto que não comentamos desde o começo do post; alguém que não saiu tão contente assim; a sociedade. 

          Engatando a primeira, a garota saiu sorridente e satisfeita; toda sua beleza e charme elevaram seu ego até os céus. Se bem que a grana ajudou um pouco, e ela sabe disso. O novato aprendeu bem como o sistema funciona, e funcionará sempre que ele estiver afim de tomar uma no fim de semana. Ficando para trás, observando o veículo se distanciando, o veterano continuava imaginando aquela jovem fazendo oral nele, algo que ele pensou desde o momento em que a abordou.

-Deixa esse comigo, esse tá rebaixado! - Disse o novato se adiantando e assinalando.
-Tá aprendendo, lobão. - Sorriu o veterano.

domingo, 19 de agosto de 2012

Insight- a moeda da fé.


- De onde você é, rapaz? 
- Sou de um interior longe, lá depois de serra talhada.

O cara de paletó preto abriu um sorriso morno. - É dele que precisamos, bispo. - Completou ainda sorrindo.

- Tá trabalhando, meu jovem?
- Não, moço. Tô buscando emprego por aqui pela cidade.
- Tenho algo melhor pra você, meu filho. Você vai fazer um trabalho aqui, e vai se mandar para o interior. E  é melhor não voltar pra cá pra cidade grande.

Naquela noite, o homem com o paletó preto subiu no palco. Falou sobre paz, sobre prosperidade. Cantou, gritou, deu cambalhotas. Naquela mesma noite, um rapaz do interior foi curado em pleno culto. O jovem tímido, chegou numa cadeira de rodas e saiu andando alguns segundos após a oração do pastor. Mais interessante do que o culto, fora os bastidores dele:

- Dez, vinte, trinta. Bispo, a merreca foi pouca hoje. Acerta com o garoto ali.
- Rapaz, vem cá. Tá aqui o acertado.
- Moço, o acordo foi o dobro!
- É, mas sua atuação não convenceu todo mundo! Muita gente achou que o milagre não aconteceu!

O garoto tímido do interior foi embora. Aquela foi a primeira vez que ele sentou numa cadeira de roda na vida. Mais uma noite de espetáculo se encerrou. 

sábado, 18 de agosto de 2012

A palavra "destino" e suas correntes.

                     Sentado estou, e aqui permaneço. Me delicio com a minha existência, na minha conexão com o exterior de forma única, tendo plena consciência de que eu e o universo ao redor somos um só. Saber que eu posso decidir meus caminhos, avaliar e tomar decisões, é algo que não pode ser substituído por nenhuma outra sensação. Mas, nem sempre as coisas foram assim aqui dentro.

                      Passei muitos anos da minha vida sendo mais um escravo do destino. Atribuía a ele minhas conquistas e derrotas, sem dar chance alguma ao acaso, ou as minhas decisões. Se eu escolho "A", tudo já estava previsto, e mesmo eu mudando de ideia na minha escolha, tendo como "B" o meu foco, também estava previsto no destino que eu mudaria de escolha. E onde fica o meu controle sobre mim mesmo e a minha vida? Porque não acreditar em acasos ou eventualidades? A predestinação de algum jogador de futebol que saiu da miséria para se tornar um milionário realmente se cumpriria se ele decidisse estudar e ser alguém de acordo com os 'padrões' de ideal da nossa sociedade? Será mesmo que ele nasceu com algum dom divino, ou de outras vidas, como dizem os espiritas? Ou tudo que ele será no tempo futuro, se concretizará por consequência de experiências, incluindo as inconscientes, que acontecem por trás da nossa percepção? 

                   Você não precisa se formar numa faculdade de letras para se tornar um poeta, e caso você consiga ser um poeta de nome sem nunca ter se matriculado no curso, porque não substituir a palavra "dom" por "capacidade"? A que tipo de ambiente você se expôs durante sua vida? Quais atividades você, inconscientemente, acabou tomando nota e absorvendo para si? Acho muito triste as pessoas apagarem o brilho da vida, colocando todo crédito nos deuses e no destino. Acho pouco demais cada ser que nasce aqui, e desenvolve sua consciência, passar a vida como um prisioneiro de uma mera palavra, que por um lado, une tantas pessoas, e por outro, os separa, tirando suas vidas consigo. 

                 Eu decidi ser o arquiteto da minha própria vida. Se o destino realmente existir, acho que ele deve ter uma equipe de busca enorme atrás de mim. Faz muito tempo que eu escapei das suas mãos, cavando um túnel dentro da minha sela. Ainda existem pessoas lá dentro, aquelas que eu deixei para trás. Espero, com todas as forças, caras, que esse blog seja a pá de cada um de vocês.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Dosando o senso crítico de ver para crer.



               Eu fui uma criança quase igual as outras. Tive certos traumas na minha infância, também tive muitos momentos felizes. Escolhi meus heróis, meus melhores amigos, meus bonecos prediletos. Eu cresci como qualquer outro jovem do Brasil. Sempre aceitei tudo que todo mundo tinha que aceitar, sempre tentei seguir o fluxo normal das águas: eu queria me formar, casar, ter filhos, uma bela esposa, um cachorro, e morrer velhinho numa cadeira quentinha enquanto os netos brincavam numa tarde de domingo. Na minha pré-adolescência eu acabei criando um hábito que carrego comigo até este exato momento onde teclo: eu comecei a me questionar. 

            No começo, eu precisava ver para crer. Buscava uma lógica ou uma razão para tudo. Tudo precisava ter um indício de materialidade, e por muitos anos, essa foi uma das minhas correntes. Durante meu processo para despertar, acabei me permitindo ser mais sensorial. Não tem nada es espiritual acontecendo nesse texto, tão pouco esse é o tema. Mas, meu caro, ao seu redor, existem centenas de mensagens subliminares que não querer, e nem tão pouco, vão aparecer para você. Mesmo assim, elas influem na tua vida, e nas tuas decisões. Então, muitas vezes, você simplesmente para e escreve algo que é a mais pura verdade, que esteve o tempo todo ali, só que ninguém nunca viu. E ai te chama de gênio, de inteligente, de foda. Quando na verdade você simplesmente está acordado agora. 

               Costumava dizer que a poesia não é feita com frases complicadas, versos belos ou uma escrita aperfeiçoada. Então, eu me corrigi, dizendo que não se faz poesia, ela está presente em todo lugar. Mas existem pessoas capazes de decodificar essa poesia em textos, em palavras, e estes são os que chamamos de poetas. Mas, meu caro, ao seu redor, existem muitos gramas de poesia em cada pessoa, em cada sorriso, em cada gesto, em cada som da natureza, ou em cada grão de poeira cósmica quando se olha para o nosso céu; a porta do universo que não conhecemos.

-É preciso dosar o nosso senso crítico. É preciso despertar. E depois, desperte outros. Capte o que acontece no seu universo, codifique isso de alguma forma interpretável, e acredite que isso seja materialidade o suficiente para despertar até o mais crítico dos críticos. 

" Poesia não é feita com frases complicadas, versos belos ou uma escrita aperfeiçoada. " Um dia depois, contradisse o verso com :

" Na verdade, não se faz poesia. Ela se encontra em todo lugar. Mas, algumas pessoas tem o dom de mostrar para outras onde a poesia se encontra. Estes são popularmente chamados de poetas. "
-Israel Dias

              Quando escrevi o segundo verso, eu me dei conta que nem todo mundo para para ver a lua, as estrelas, e se perguntar, ao menos uma vez; como eu vim parar aqui? Foi assim que eu iniciei meu processo para despertar, e dei rumo na minha paradoxagem,  e meu vício de formar palavras com o tempo "paradoxo". Em outro post eu conto como foi.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Insight- sobre um mercado de mentes.


                 É dia de festa num pequeno município aqui perto. Pessoas se aglomeram, muitas nunca viram nem ouviram nada sobre aquele cara. Caminhando, sorrindo, acenando para todos; eis o nosso candidato. Por dentro, eles contavam os minutos para cair fora, tinha uma reunião importante com alguns companheiros de partido. Daquelas onde se compartilha pouco conhecimento e muitos brindes com doses caras de uísque. Suor, calor humano, abraços e apertos de mão à parte, a reunião pós-carreata teve um assunto importante abordado.

- Cadê aquela menina? Aquela que você comia. Vai mesmo apoiar a candidatura dela? 
- Não tenho outra escolha. Se não fosse ela seria qualquer outro idiota mesmo. Ela é gostosa, dançarina dessas coisas, musa isso, musa aquilo. Um monte de marmanjo vai votar nela, e com isso, em mim também. 
-Você é um filho da puta muito inteligente. ( risos )
-Tudo vai depender desse concurso que ela participa. Se ela ganhar com muitos votos, eu dou meu apoio, faço alguma parceria com ela.

                O compasso daquela tarde fora as doses da bebida. Ela terminou quando o ponteiro da segunda garrafa já estava na metade. Depois de abraços cordiais, cada um pegou o seu veículo e infringiu a lei-seca até chegarem em suas residências. A menina gostosa ganhou o concurso e recebeu todo apoio necessário. Ficou entre uma das mais votadas mas não ganhou a eleição, enquanto seu patrono foi reeleito. Após eleição, os abraços, sorrisos e apertos de mão sumiram. Aquela rua onde a carreata aconteceu ficou intransitável, era mais fácil chegar na china em alguns daqueles buracos. A garota foi esquecida por todos que votaram nela, haviam novas gostosas na área, umas rebolavam mais gostoso do que ela fazia. E os problemas da sociedade continuaram por muito tempo.

                Esse conto não tem um final feliz, mas o final dele é o mesmo que você vive. Não é um conto sobre uma menina gostosa, ou dois políticos filhos da puta. É um conto sobre águas contaminadas que movem moinhos, e são usadas para regar plantações de pessoas. Quando chegar o momento certo, suas mentes serão colocadas à venda. É promoção, pessoal, estamos em eleição.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Insight- nos bastidores de uma grande corporação.


Três figuras ocupavam aquele ambiente. Olhos arregalados, charutos presos entre os dentes, sem perder o sorriso; mais pareciam caricaturas vivas. Vozes soberbas e roucas, risadas e tosses compassando o diálogo, pausas para apreciar as secretárias passando do outro lado do vidro fumê.

-Não queremos mais nenhum desses estagiários aqui conosco. Olhe para o canto da sala, lá no final, aquele novato. Ele é bem desenroladinho, mas já veio pedir reconhecimento. O cara quer ser contratado, quer um aumento. ( risos e tosses acompanhando )

-Bom, ele é o melhor entre os piores, Marcus. Pega ele, faz o teu jogo. Olha, contrata ele. Qual vai ser a diferença de salário e benefícios? O coitado não ganha metade do que precisaria para se sustentar. Veja pelo lado bom, isso vai motivar os outros a achar que podem ser como um de nós aqui dentro.

-Não gosto muito dele. Mas, vou seguir o seu conselho. Pobres coitados, acham que podem chegar até a diretoria. Opa, Cláudio está vindo, muda de assunto, ele é muito humanista.

-Fica tranquilo, só faz o que eu falei, contrata aquele cara, vai por mim. Esse Cláudio não foi aquele que foi promovido para depois ser demitido, né? Ele só tá aqui enquanto aquela gostosa não volta das férias, como é mesmo o nome dela?

- Shiiiii, ele tá entrando!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um Éden deturpado.


                  Iniciarei o post citando algo que eu eu disse anteriormente: "Analisando textos, frases, e entrevistas com diversos seres ímpares que contribuíram de alguma forma para o crescimento da sociedade, é possível notar características que todos carregamos quando crianças, e que, ao passar do tempo, acabamos deixando para trás em busca de algo mais palpável e racional. Em outras palavras, podemos dizer que essas características se resumem ao dom de sonhar." O que fazem os pais quando uma criança tenta ter alguma experiência, que para nós, é quase certeza de dar errado? Observo muitos pais repreendendo seus filhos por qualquer coisa. Não deixam que eles experimentem. Fazem com que, na sua pequena consciência em desenvolvimento, eles aprendam que devem desistir de tentar caso exista alguma chance de erro. 
             Sendo assim, aos poucos vamos aprendendo que não devemos errar, que o erro é algo feio, e que devemos fazer o correto, tentar minimizar as chances de erro. Sim, eu até acho isso um argumento válido. Mas, quando se trata da formação do caráter de um ser humano, reprimir as chances de um filho experimentar, de se expor, de querer e tentar suprir suas vontades e necessidades, por mudar por completo o tipo de pessoa que ele vai ser. Essa necessidade de se não errar, não pisar fora da linha, acaba encaixando as pessoas nos seus devidos postos na sociedade, como se coloca peças num tabuleiro de xadrez. Tal como no tabuleiro, alguém move essas pessoas. Alguém precisa que você deseje ser apenas mais um, alguém quer que você apenas siga o que todos fazem, sem pensar duas vezes sobre a origem daquele costume, se seria certo, errado, ou para quem seria conveniente que aquilo acontecesse.
             Então, porque não estimula-se a produção de um ser questionador? Porque nossas redes de ensino ensinam que A+B=C, mas não falam que podemos não precisar do A, nem do B. Talvez pudéssemos criar um elemento D, ou não? É assim que se cria os telespectadores perfeitos. Dessa maneira, criamos consumistas desenfreados, travestidos de pseudo-pensadores, donos e donas das suas vontades. Por outro ângulo, parceiro, existe um ditador jogando as peças do xadrez. É preciso tal objeto para ser aceito, e ele custa um certo valor. Talvez um tipo de tênis, relógio, ou um corte de cabelo. Um vocabulário bem arrastado, um estilo de jogada de corpo. Um jeans rasgado, criado por um retardado em algum atelier de moda. Talvez o modelo que ninguém usaria em plena consciência; um short de alguns reais, cortado, picotado, que passa a valer trinta vezes o seu preço. Se você pensasse um pouco, não o compraria. Mas, você não pensa.
               Você viu a verdade na televisão da sua sala. Viu aquela moça linda da novela com o short picotado, e quer o seu. Não importa o preço, custe o que custar. Não importa o seu salário. Você quer. E esse é o preço de educar os filhos de maneira pouco crítica ou contestadora. É o preço de querer se adequar numa sociedade doente e deturpada, com aspectos morais irrelevantes, e valores verdadeiros esquecidos. Eu não fugi do tema não, rapaz. Tudo começa na educação da sua criança. É ai que está a diferença entre criar um ser pensante, ou apenas mais um número para as grandes empresas e corporações, que governam este Éden onde vivemos.
                          

A gênese de um gênio.

          Enquanto algumas pessoas tentam viver conforme regras sociais, outras pegam seus lemes e começam a remar contra a correnteza. Céticos, contestadores, criadores da sua própria verdade; eis que vos apresento um texto sobre questionamentos, que abordam um pedaço da mente humana, em sua parte motivacional. O que nos fez, então, dar o próximo passo? 
           Analisando textos, frases, e entrevistas com diversos seres ímpares que contribuíram de alguma forma para o crescimento da sociedade, é possível notar características que todos carregamos quando crianças, e que, ao passar do tempo, acabamos deixando para trás em busca de algo mais palpável e racional. Em outras palavras, podemos dizer que essas características se resumem ao dom de sonhar. Todos essas pessoas desistiram de coisas materiais, palpáveis e lógicas, para seguir sua intuição interior, suas paixões, e seus sonhos. Lógico que muitos deles, se não todos, fracassaram. E os que tentaram novamente e novamente, chegaram lá. Michelangelo costumava dizer que " o maior perigo para a maioria de nós está não em fixar nosso objetivo muito alto e falhas, mas, sim em fixar nosso objetivo muito baixo e atingir nosso alvo." Adiantando-se no tempo até os dias de hoje, os pais adotivos de Steve Jobs queriam que ele terminasse a universidade. Até os dias de hoje existe essa necessidade de afirmação perante a sociedade. Como Jobs mesmo afirmou, " aos seis meses de curso, não conseguia ver valor naquilo. Não tinha a mínima ideia do que fazer da minha vida, e menos ainda, em como a faculdade me ajudaria a descobrir. Eu estava ali gastando todo dinheiro que meus pais economizaram a vida inteira. " Depois de se dar conta, Jobs caiu fora, acreditando " que tudo daria certo ".
               Não estou tentando dizer para cada um de vocês largarem tudo, até porque Steve não era um cara qualquer. Porém, não era tão diferente de qualquer um de nós aqui. Não necessariamente alguém lendo esse texto precisa ser um gênio, mudar o mundo de forma grandiosa como vários inovadores mudaram. Mas, mudar o mundo em pequenas partes, pode resultar em algum feito maior, num futuro próximo ou distante. Uma boa ação nunca será nula, é o que eu penso. Existe um princípio que eu procuro seguir. É algo bem antigo, mas e analisarmos com frieza, faz total sentido. Bruce Lee uma vez mencionou que nossa mente " é como uma xícara de chá. Nada se pode adicionar numa xícara cheia, sendo assim, esvazie sua xícara para provar do meu chá. ". O que Jobs fez durante a universidade? Ele decidiu abandonar as matérias que não lhe pareciam interessantes. Eliminando o que não lhe era essencial. E foi isso que o inspirou em alguns momentos durante a criação do iPod. " Diga não para mil coisas. "- Falando em buscar a simplicidade e sofisticação máxima, eliminando o desnecessário para que o necessário pudesse falar.
               Se o dinheiro for sua única motivação, suas chances de fracassar serão muito altas. Perseguir ideais com o objetivo de ficar rico pode ser, á princípio, algo promissor. Porém, a longo prazo, seu trabalho lhe parecerá uma escravidão. É como casar-se com alguma mulher por interesse. " Ser o homem mais rico no cemitério " -Jobs- te interessa tanto assim? O que eu estou tentando falar, é que todos eles falam de paixão. Uma das melhores definição de paixão que eu já vi na vida veio de Anthony Robbins, ele disse uma vez que " a paixão é a gênese do gênio ". Tá, ele pode até ser uma droga de palestrante motivacional, mas nisso, ele acertou. A paixão os fez acelerar quando era preciso desacelerar, os fez deleitar-se no próprio fracasso, procurando novas ideias, tirar proveito de algo, e de tudo, até mesmo do fracasso. Encontre alguém ou algo, " encontre alguma coisa que você goste muito de fazer, que não consegue esperar o sol nascer para fazer de novo. "- Chris Gardner. Sabe quem é o cara? Já assistiu " À procura da felicidade "? É o próprio. O cara que foi de sem-teto a multimilionário. Ele sabia no que ele era bom. E mudou o foco, inverteu o andar da carruagem, ele remou contra a maré.