quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Antepassados.



                 Olá, eu sou um ser humano. Existem bilhares de mim no planeta onde eu vivo. Aqueles que já viveram e morreram aqui neste planeta são chamados de antepassados, são os que viveram antes de nós e fazem parte do nosso passado. Eu diria que fazem, e muito, parte do nosso presente.

                 Meus antepassados eram muito curiosos. Eles aprenderam e catalogaram tudo o que julgaram necessário; nomearam animais, e paisagens. Desenharam linhas imaginárias que decidiram chamar de fronteiras, e através destas, os que cruzassem não seriam bem vindos. Estes, por morar do outro lado das linhas imaginárias seriam diferentes. Meus antepassados separaram outros de mim por cor, ou pela crença. Os mesmos que matavam outros por acreditarem no deus sol, também eram mortos por terceiros por ter na deusa lua.

                 Hoje em dia eu olho ao redor, e vejo seres pensantes que se julgam superiores por ter um cérebro maduro e desenvolvido com relação à outros animais. Mesmo assim, os humanos que eu convivo falham em conceitos éticos de morais básicos para uma existência saudável. Será mesmo que podemos olhar para trás e chamar nossos antepassados de primitivos? Nós, que ainda resistirmos em respeitar outros humanos apenas por quererem parceiros que tem o mesmo sexo biológico que eles? Nós, que ainda somos separados por grupos, cada qual que acredita em um ser imaginário e superior? Nossos antepassados primitivos se mantém vivos conosco, fazem mais parte do nosso presente do que nunca.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Então, é natal?



          Diferente do que muitos pensam, o natal não simboliza o nascimento de um messias cristão, o capitalismo, nem tão pouco as cores da coca-cola impressas no papai noel. Gostaria que todos lessem o texto de forma razoável, levando em conta que todos os argumentos podem ser interpretados para mais ou para menos, visto que muitos dos registros históricos que eu busquei são baseados em traduções e interpretações seculares e milenares.

Até hoje em dia existe uma problemática sobre a data exata do nascimento de cristo. Nem mesmo as escrituras sagradas tem o tal nascimento gravado. Logo, eu imagino que deus não queria que este dia fosse lembrado como algo costumeiro, tanto que ele nem se deu ao trabalho de inspirar os escolhidos que escreveram as escrituras para falar sobre o assunto. 

"... havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho."  (Lucas 2:8). Perto de dezembro, os pastores já iniciaram a retirada dos seus cavalos dentre outros animais do pasto. E a própria bíblia fala em Cant 2:1 e Esd 10:9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frígidas noite, no campo. É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1).

           Bom, então, se Jesus existiu, ele não nasceu em dezembro. Ou, se foi em dezembro, nasceu em outro local. O que se sabe de acordo com registros históricos é que em dezembro celebrava-se uma famosa festa em homenagem ao sol. Tal festa, era conhecida pelos romanos como Saturnal. A mesma era uma festa de prazeres carnais desenfreados, usando termos bem educados para descreve-la. Claro que uma festa dessa nunca iria perder para o interesse da igreja, visto que os desejos carnais do ser humano quase sempre prevalecem. Então, não menos inteligente do que sempre foi, a igreja conseguiu inserir ícones, nomes e certos costumes cristãos dentro das festas pagãs. Isso seria a base do que hoje conhecemos como natal, e que só foi ordenado pela igreja que se comemorasse por volta do ano 440 D.C.

             Hoje, em pleno século XXI, o projeto de adaptação cristã do paganismo tornou-se uma adaptação comercial do cristianismo. Então, o que você comemora de fato? Particularmente, gosto de me reunir e tomar vinho. Quando pedem, eu fecho os olhos e finjo que oro.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Insight - Feito especialmente para o Brasil.



Em algum escritório de luxo próximo da cobertura dois diretores tomavam decisões. Não vou dar-lhes nomes, vou direto ao assunto. O que eles acham que nós, Brasileiros, somos? Um lixo. Eu não os crítico, faz sentido, nos comportamos como tal.

- Vamos lançar o novo projeto mês que vem. Aposto que o índice de aceitação vai ser altíssimo!
- Como pode afirmar com tanta certeza?
- É simples. Brasileiro compra tudo que vem de fora. Usar produto importado no Brasil é algo que gera uma distinção entre classes sociais.
- Eles são um povo interessante. Se nosso país tivesse tudo que o país deles tem, de fato, ultrapassaríamos a atual potência mundial.
- Eu concordo. Como eu ia dizendo, pode empurrar que vai vender.
- O grande problema são as taxas abusivas daquele governo deles, infelizmente nosso veículo chegará lá um tanto diferente.
- Um tanto? Estou enviando os modelos básicos. Nosso modelo básico é vendido como o top de linha deles.
- Agora eu entendi!
- O que?
- O slogan da propaganda.


" Feito especialmente para o Brasil. "

Insight- A copa do mundo é nossa.




Do caralho! Simplesmente do caralho! Nunca vi tanta mulher gostosa reunida! - Gritava um senhor de aproximadamente meio século de vida. Em uma de suas mãos, segurava um copo de alguma bebida quente de uns 17 anos. A empolgação não podia ser menor, hein? Gente bonita, bebida, e comida. Naquela festa, não se falava de aniversário.

Melhor do que um bom churrasco, cerveja e mulher bonita, somente um bom churrasco, cerveja, e mulher bonita com o povo de pagante! O povo não é o nome de nenhum aniversariante. O povo somos nós!

- Eu adoro esse país. Acho muito cantinho na Europa digno de se viver, sabe? Mas eu ia sentir muita falta dessa esculhambação daqui! Quanto ao dinheiro do churrasco, não vai dar merda não?

Do outro lado, um político local respondia de forma seca:

- Claro que não. Estamos na Europa? Aqui é o Brasil. A economia está num momento propício para um benefício da nossa massa. É copa do mundo, meu amigo. Época de festa. - E começou a cantarolar - "A copa do mundo é nossa..."

O pior é que esse personagem que eu criei está certo mesmo. Se o Brasil ganhar? Ninguém vai perceber os milhões que serão desviados. E se perder? Também não.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Insight- no país do futebol, vermes comem caviar.


Terça-feira, 25 de dezembro de 2012


As coisas foram diferentes do previsto. O mundo não acabou! Realmente uma pena para alguns. Para outros 'la felicita' é total. E quem são "alguns"?


            Uma família classe média se juntava na mesa; estava farta, sobrava comida, todos os lugares estavam preenchidos com amigos, parentes e aderentes. Mas, no coração de todos, ainda havia um lugar vazio. De mãos dadas, a boa família cristã iniciou suas orações. No canto da mesa, o caçula da família, em voz baixa, falou à todos: " Papai do céu, obrigado pela comida e pelos amigos. Espero que esteja tudo bem com papai, cuide bem dele. Sei que ele está ai do seu lado. Amém. " O garoto é o Júnior, filho de um bombeiro militar. Sua família mora em São Paulo, e seu pai foi morto injustamente na semana passada. Qual é? Quem é que mata bombeiros? No país do futebol, as pessoas boas sempre pagam o pato.

            Mas, existe um outro lado da moeda. O outro lado da nossa história. Esse lado se chama de "outros", aqueles que tem 'la felicita' com eles.

" Acabei de receber, cara! Estou saindo nesse final de semana, meu pirraia! É nós na fita! " Mais um preso iria passar o final de semana em casa. Seus pais estavam felizes por ter seu lugar preenchido na mesa. Quem foi o filho da puta que pensou em soltar presos no natal para estimular sua ressocialização? Pois é, John vai sair nesse final de semana. Já encomendou uma calibre 38 com os caras lá, lá perto de onde ele mora. Encomendou de dentro de presídio mesmo, via celular ou facebook. John não quer sair pra ver sua família, toda quarta ele come sua esposa na visita íntima. Ele fala constantemente com seus "brothers" pelo face, ou sms mesmo. Ele quer sair pra fazer dinheiro. Na verdade, ele quer fazer o nosso décimo cair na conta dele, via motivos de força maior. Bem maior, afinal, uma 38 faz um belo estrago em quem se recusar.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A origem de um preconceito.


          Cheguei em casa imaginando que cairia na cama e apagaria. Eis que meu cérebro louco novamente me pregou uma peça. Estou pensando nos jornais e na mídia, especificamente, sobre o tema "homo-afetividade". Sabe, tudo precisa ter um começo, meio, e um fim. Sempre que abordam temas que envolvem gays a mídia fala um pouco do que todo mundo já sabe, mas o copo que ela nos oferece, não mata minha sede.

          Eu tento imaginar o princípio de tudo. Sei que sempre existiram casais do mesmo sexo na sociedade, e bem antes dela se formar sociedade. Existem vestígios históricos de que, principalmente entre homens que atuavam nos exércitos, cujas batalhas demandavam muito tempo isolados, atos libidinosos com pessoas da mesma sexualidade era algo não tão fora do comum. Eu posso estar errado, mas gostaria de abrir os pensamentos dos leitores para um texto antigo. Muita gente vai dizer que eu gosto de bombardear os cristãos e a bíblia, mas, eu o vejo como a versão mais antiga e com influência "homofóbica" sobre a sociedade.


Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; 

Levítico 18:22



Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles. 

Levítico 20:13


          Também sei que muitos vão falar que são trechos do velho testamento, dentre outras coisas. Não importa. Em algum momento na história esses textos foram seguidos como se a total verdade fossem. Nenhuma outra religião no mundo cresceu como o cristianismo, nenhuma outra tem tanta responsabilidade como tal. Não quero debater religião, costumes, doenças, ou como quer que alguém queira chamar as relações homo-afetivas. 

          Eu detesto terminar algo fazendo perguntas. Mas, gostaria de deixar alguns leves questionamentos para todos.

  • O que é o pecado e quem criou tal termologia?
  • O que é ilicitude?
  • Qual a importância do conceito de céu e inferno na criação de condutas sociais?
  • Como serão as nossas famílias no futuro?
  • Maconha, aborto, e células tronco são mesmo sinais do "fim dos tempos"?
  • Religião x Educação ; um realmente precisa do outro?
  • Homo-afetividade; genética, doença ou problemas espirituais?


sábado, 1 de dezembro de 2012

Pena de desfavorecimento geográfico e cultural.




Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. 

João 14:6


        Eis acima ótimas palavras de conforto para qualquer cristão. É maravilhoso, nesses momentos, ter nascido Brasileiro e católico. Se você também é uma pessoa feliz por morar num país onde quase 90% dos habitantes acreditam em Jesus Cristo como o caminho da verdade e da vida, eu lhe congratulo. Por outro lado, queria apenas convida-lo para uma rápida viagem. Daremos um pulo ali na Índia.

        O que acontece com pessoas num país como a Índia? Do pouco que eu sei de lá, posso afirmar que eles não acreditam em Jesus ou no pai citado no versículo. Partindo da lógica que deus é onisciente e onipresente, o criador do versículo João 14:6, ou seja, Jesus inspirado por deus que também é ele mesmo, já havia planejado o desfavorecimento cultural destes humanos. Ele criou os habitantes da Índia, e permitiu que sua cultura se desenvolvesse sem que existisse naquele local disseminação alguma da palavra Cristã. Dentre muitas divindades, os quase 750 milhões de fiéis do hinduísmo, estão condenados diretamente ao inferno sob pena de " desfavorecimento geográfico e cultural para não crer no cristianismo ".

        É uma realidade dura de aceitar, mas "deus sabe o que faz", ou não. O que me consola é saber que os Hinduístas não vão para o inferno por crer no num deus que não é citado no folclore cristão. Também me tranquiliza o fato de que eles ainda podem exercer sua livre crença em qualquer deus imaginário que eles quiserem. Levando aos extremos, ou vivemos num mundo sem deus algum, ou estamos numa nova Grécia cheia de deuses, cada um com suas funções e preferências. É claro que eu prefiro acreditar, por ausência de provas científicas, que somos os deuses das nossas próprias vontades. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Causa da morte: óbito religioso.



Declaro que respeito totalmente toda prática religiosa. Não interpretem, por favor, esta carta como uma afronta ao seu tipo de crença. Sou apenas um pensador que luta pela igualdade entre povos, acima de religião, raça e opção sexual.

Constituição Federal/88 - Art 5º
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;



Uma carta por todos aqueles óbitos religiosos, dentre eles, especialmente, as guerras santas e a santa inquisição.

         Fui fazer algumas compras no shopping. Eu sempre suspeitei, mas, neste dia, me dei conta que nenhum outro local talvez me faça refletir tanto quanto ele. Talvez seja o aglomerado de pessoas, de cores e costumes diferenciado, buscando seus próprios interesses. Muitas vezes eu olho para cada uma delas, e me vejo no centro de uma teia onde eu sou o meu personagem principal, e imagino diversos outros roteiros de vida. Eu literalmente viajo quando vou ao shopping. Sentado na praça de alimentação, vejo que não existe saída para não cooperar com o sistema. Pode parecer loucura o uso da palavra " sistema ", pode até parecer que eu sou mais um retardado influenciado por Tropa de Elite, mas, o meu conceito de sistema vai um pouco além.

         Muitos ali, naquele momento, são pessoas teístas. Elas acreditam em algo que rege o universo, a existência de tudo que conhecemos, e por fim, a nossa vida. Muitos ali, acreditam no " sistema ". Eu não posso provar que deus talvez exista, mas, por ausência de provas, eu acredito que ele não exista. Posso, então, argumentar comigo mesmo, que, talvez não seja saudável para uma espécie, limitar seus costumes ao modo de um ser imaginário, que pune de forma arbitrária os seres que ele mesmo criou.Tentarei, de forma curta e simples, explicar qual é o tipo de sistema que eu falo. Eu imaginei, por exemplo, se alguém conseguisse provar a inexistência de deus. Talvez nem precise tanto, imagine apenas um vazamento de documentos que a Igreja Católica nunca desejaria que vazassem. O que eu chamo de sistema, entraria em eminente colapso. 

         Quantos dos que estavam ali, comendo, felizes comigo, enlouqueceriam no outro dia? Quantos daqueles, que estavam ali comendo, acreditando que deus havia lhe proporcionado aquele momento, aquela refeição, aquele dinheiro, aquele carro, e até aquela esposa que estava ao seu lado, continuariam suas vidas de forma normal? Imagine se este documento afirmasse nossas quase certezas sobre as fraudes da igreja, a criação de santos que nunca existiram, ou, nunca foram santos, a inserção e modificação de dados na bíblia, a pedofilia secular, a influência sobre o governo, as datas comemorativas inventadas, dentre tantas outras coisas. Sim, essas pessoas comemoraram feriados nulos, oraram para santos que nunca foram santos, e estão mortos, receberam a ostea de padres cujas mãos ainda tinham o cheiro de genitálias de menores, e, não tiveram parentes salvos por um subdesenvolvimento nas células tronco, muitas vezes, impedido de crescer como deveria por conta do poder da Igreja.

         Imagine, agora, estas pessoas após tal refeição, chegando em casa e recebendo tal notícia na televisão. Sim. Sim, sim, meu caro. Suas preces nunca foram ouvidas, suas conquistas são méritos seus, se você está vivo, ou sempre voltou para casa com todos os membros, você, talvez, sempre teve cautela o suficiente. Sim, meu caro, provavelmente, você seria um dos que enlouqueceria se o sistema quebrasse. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

E se?

                   Eu nasci cristão. Quer dizer, a maioria das pessoas no Brasil nasce católico por imposição dos pais. Batiza-se os filhos, ensinam-lhe rezas, credos e dogmas. Aos cinco anos de idade, as crianças aprendem que existe alguém no céu que criou tudo que existe aqui embaixo. Quando na infância, alguém perde um ente querido e pergunta ao pai "por que ela (ele) morreu?", geralmente, os generosos pais responde que " foi papai do céu quem quis ". Realmente, é mais bonito e fácil responder desta forma. Papai do céu, para nossas crianças, é como o primeiro pai. Ele cuida de nós, ele nos satisfaz, ele nos afasta do mal e reprime nossos medos. Quando uma criança pergunta ao pai: " papai, por que papai do céu me colocou este câncer nos rins? ". Bem, ai eu não sei ao certo te responder o que os pais dizem. Eu não sei se é saudável para uma espécie, educar os filhos de tal forma. Ensinar que viemos do pó, ensinar-lhes que, fazendo o bem, conquista-se o paraíso. Bem, eu não sei. 

                   Confesso que quando começamos o processo de racionalização individual,  acabamos por sentir um pouco de medo do caminho que tomamos. No meu caso, pelo menos, foi assim. Eu achei que seria castigado, eu achei que aquele deus sobre mim, me acharia um desertor, um herege. E é exatamente isso que eles querem que você ache. Primeiro você é cem por cento crente, e, se quiser realmente estudar, conhecer, e aprender, você, logo, passa pela primeira fase: 

- Religiões e seus livros não fazem sentido, mas, ainda sim, existe um deus.

                   Nesse ponto, você ainda não sente tanto medo de ser castigado. É por isso que eu insisto em dizer que "quanto mais ignorante, mais feliz". Quer dizer, tudo é lindo e perfeito, não existem questionamentos. Você não liga se vai passar toda sua vida fazendo parte de uma mentira, de um conto de fadas, desde que seu salário esteja na conta, e a bebida na mesa, por assim dizer. É como pisar sobre areia fofa, dentro das águas escuras numa noite no mar. Sabe, você imagina que algo vai te pegar, ou te morder. Não é possível ver o que existe por baixo, mas, você decide continuar. Afinal, você não pode caminhar sobre águas. 

- De algemas totalmente quebradas.

                   Quando, então, você decide seguir em frente, coisas fascinantes acontecem. E, não existe nenhuma experiência religiosa que possa lhe pagar o quão fantástico é saber da verdadeira verdade. Não aquela verdade que os livros religiosos trazem, mas, uma verdade constatada por testes e observação. Saia de casa numa noite escura, dirija-se, com segurança, para um local com pouca iluminação. Olhe para cima e encare a sua verdade. Este é o seu lar, esta é a via láctea! É uma verdade talvez, imutável! E, quando ela vier mudar, você, e todos nós, provavelmente, não estaremos aqui para presenciar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Insight- disfarçando tendencias idiotas.


O atelier do nosso artista tem cheiro de bebida. Jogado no sofá, ele não tinha ideia alguma de qual peça iria produzir para seu lançamento de verão. Toda essa cachaça já não lhe serve mais como fonte de inspiração, ele estava ficando velho, e não tinha mais nervos para isso. Falar sozinho, porém, ainda lhe parecia algo costumeiro:

- Eu sei o que eu vou fazer com você, seu pedaço de pano idiota! 

E, em alguns segundos, estava pronto o novo modelo da sua coleção de verão. Um short de vinte reais, que acabara de ter os bolsos rasgados, e colocados para fora.

- Alguém vai usar isso, querido? - Seu ajudante entrava na sala, naquele exato momento. Segurou o short com a ponta dos dedos, como se segurasse um pano sujo, enquanto fez o comentário.
- Depende. Me passa o telefone do empresário daquela menina lá. Acho que ela pode me ajudar. - Respondeu, enquanto enchia mais um copo de cachaça.

Pois é, pois é. Aquela menina era atriz de alguma novelinha popular. Eis a fórmula do sucesso; um pseudo-artista idiota e bêbado, um pedaço de pano de vinte reais, ou menos, um contato interessante, e o tempo. O último ingrediente precisou apenas de dois dias. Após a aparição da garota com o trapo, cem mil unidades foram encomendadas. E ainda nem chegamos na inauguração da coleção de verão.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Princípio da realidade relativa.


               Está com a mão no mouse agora? Seus dedos repousam sobre o teclado? Imagino que seu teclado lhe pareça real, ou não? Você pode ver, distinguir cores nele, pode toca-lo, pode ouvir sons das suas teclas, quando são pressionadas. Porque não seria real? 

              Certo dia eu ouvi um conto. Não lembro quando, onde, e muito menos quem me contou. Existia um filhotinho de elefante na índia, cujo nome não é importante. Se você ficou curioso, posso da-lhe o nome de Abul. Sua mãe foi morta por caçadores, e Abul acabou sendo adotado por um senhor que morava num vilarejo. Para que o elefantinho não fugisse, ele fincou uma estaca qualquer na terra, e, com uma corda, amarrou Abul nela. Todo dia ele era bem cuidado e alimentado, e assim o tempo foi passando. De tempos em tempos, sua corda era substituída por uma maior, apenas para não ficar muito apertada, mas ainda sim, Abul não tinha muita mobilidade para sair e conhecer o mundo. Ficava sempre naqueles mesmos metros quadrados de tempos atrás. Então, Abul se tornou um elefante quase adulto, e perto de seu tamanho e força, aquela cordinha de nada atada numa estaca velha, nada seriam. Mas Abul nunca decidiu ir embora para seguir seus instintos e conhecer o mundo.

          Não por falta de vontade, ou força. Existia um pequeno detalhe que podemos definir como o "princípio da realidade relativa". Abul cresceu acreditando que aquela estaca e uma corda velha poderiam prende-lo ali. E, mesmo com força o suficiente para palitar os dentes, por assim dizer, com aquela estaca, ele nunca conseguiu se libertar de lá. Vamos, então, substituir o nosso elefantinho por um ser humano. O que muitos consideram uma barreira real, que nunca pode ser atravessada, outros nem a visualizam. Existem correntes invisíveis que nos prendem, existem as emoções, perguntas, receios, e as leis, por exemplo. E muitos apenas existem aqui, vivendo de acordo com todas essas estacas e cordas. Talvez seja porque, tal como foi para o senhor que cuidou de Abul, alguém não tenha interesse que você se liberte.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O poder da dopamina contido na palavra "amor".

             A força do amor é resultado a conexão que tal palavra faz conosco. Imagine um conjunto de sintomas, que após muitos anos de estudo, são agrupados e classificados como alerta para uma provável doença no seu organismo. Então, criamos a palavra "diarreia", "gripe", dentre outras. Como gostamos de classificar as coisas, precisávamos de uma denominação que encaixasse toda aquela confusão na cabeça dos machos e fêmeas primitivos. E, que sintomas são esses?

             Quando achamos que estamos caindo em um romance, as áreas do nosso cérebro que estão ligadas à recompensa, ou "vontade de ganhar um prêmio", começam a ter uma atividade um pouco acima do normal. Essas mesmas áreas, são ativadas pelo uso de algumas drogas, ou pelo sabor eminente do chocolate. Interessante, ou confuso? Fica claro pelo uso das palavras, que esse sentimento está ligeiramente ligado ao prazer da recompensa. Acho que deve ser desse ponto em diante, que o nosso corpo começa a liberar hormônios de bem estar, e intensificar nossa relação psicológica com esse outro ser. Ele, o corpo, precisa, de fato, garantir as chances de reprodução e perpetuação da espécie.

                Algumas áreas do cérebro são "desativadas", de certa forma, uma delas responsável pelo medo e a outra pelo pensamento crítico. Esses fatores combinado as áreas ativadas semelhantes as mesmas dos usuários de drogas, resulta num processo de dependência existencial, pelo menos inicial, da outra pessoa. Acabamos sentindo a necessidade de ver o outro, para tomar dele, a próxima dose.

                Bom, se esse sentimento se inicia no cérebro, com atividades anormais em locais específicos onde as drogas também atuam, pensemos bem; a falta desse "amor", pode causar um efeito devastador como a abstinência por drogas? Do meu ponto de vista, pode sim. Já cansei de ver Romeus se jogando de edifícios após o término de uma relação. Deve ser difícil para o nosso cérebro ter essas conexões nervosas interrompidas de forma tão abrupta, enquanto as chances de firmar e transmitir seu DNA para outro parceiro vão pelo ralo dessa forma. Todos os poucos "sintomas" citados a cima, são comuns em quase todos os seres humanos. Logo, não existiria uma palavra tão popular, e de significado tão comum e forte como o "amor".




segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quando os milhões se tornam tão pouco.

                

               Hoje, eu tenho 23 anos. É algo em torno de 12 milhões de minutos. Acho que isso daria umas 202 mil horas. Porra, são 8 mil e 400 dias de vida. Se você olhar por esse lado, vai entender um pouco o que é viver em paradoxo. Se eu imaginar que vou morrer aos 50 anos, posso até achar que tenho muito tempo.
Mas, quando converto esse número para minutos, é assustador saber que eles passam tão rápido.

Aprendizado ativo ou passivo?

         A informação sempre foi a peça mais valiosa em toda história da humanidade. Antigamente, as pessoas tinham problema para obter informação. Quando eu digo antigamente, não falo na época dos nossos pais. Eu digo antigamente mesmo. Imagine na idade média; existiam bibliotecas enormes, que guardavam a cultura de cada povo. Nem todas as pessoas sabiam ler ou escrever, e existiam contatores de história, que acabavam tendo acesso a certas escrituras, e contando os acontecidos de reino e reino. Nem sempre eles gostavam de ser fiéis, muitos aumentavam bastante o que acontecia, e assim surgiam as lendas. Mas, o que um ditador precisaria fazer exatamente se ele desejasse extinguir uma raça da face da terra? Era fácil direcionar ataques, e omitir informação das pessoas. Era fácil manipular todo mundo. Era fácil roubar todos os livros sobre ervas medicinais, e manter o conhecimento apenas consigo, passando a, por exemplo, cobrar por curas ou consultas. E hoje em dia, como funciona o processo de privação da informação?

          Existe um problema no mundo atual chamado " excesso de informação ". Não existe mais como privar as pessoas de ter acesso a qualquer coisa que elas queiram. Então, a estratégia dos ditadores mudou. Se agora, existe meios que levam a informação de todas as formas, não é preciso nem possível mais privar as pessoas. O ideal é jogar muita, muita informação inútil no meio da vida delas. Desvirtue-as dos seus verdadeiros valores, crie desejos, aspirações e vontades. O título desse post não poderia ser outro. Se você acabar adquirindo informação de forma passiva, infelizmente, não terá muita qualidade em tudo que vai chegar até você. Por muito tempo eu copiei baboseiras que ouvi na TV ou em qualquer outro meio, e sai repetindo por ai, como um papagaio. É o que acontece bastante hoje em dia. 

          Aqueles caras que eu citei lá no começo do post não tinham culpa alguma por sua ignorância, por assim dizer. Nossos pais, por exemplo, trazendo um pouco para um passado mais perto do nosso, eu garanto que eles não tinham acesso a quantidade de informação que temos hoje. Se eu tentar imaginar, enxergo meu pai numa biblioteca, durante a faculdade, utilizando no máximo uma máquina de esquecer. Eu estou tentando dizer que nós temos culpa, se nos tornamos alienados para coisas realmente importantes. Seja alienado para futilidades. Sou à  favor de ser alienado com o sistema, porém, não com as suas causas. Você não precisa, a final, saber quem é o mais novo contratado do flamengo, ou precisa? Precisa mesmo saber quem é o novo namorado da Gisele blábláblá? Não sei. Responda-se.


Insight- ela acha que não faz parte do sistema.

          Anoitecia naquela sexta-feira, e o veterano queria ensinar direitinho ao mais novo integrante do sistema como as coisas funcionavam por ali.

-Observa aquelas duas no carro. -Sibilou ao novato, enquanto fazia sinal com as mãos para o veículo parar.
-Boa tarde, cidadã. Habilitação e documento, por favor.

          Tudo como o veterano imaginou; seguro em dia, habilitação em falta. Aquelas duas pepitas de ouro dirigindo o carrão do papai, talvez fosse escondido, talvez não. Tinha cheiro de merda no ar, mas, dependendo das duas, aquela situação poderia se converter na cerveja do fim de semana. 

-Bom, senhoritas, creio que temos um problema aqui.

          O novato observava tudo calado, perto da janela do carro, com uma caderneta em mãos. Do lado de dentro, a garota no volante soltou os cabelos. Retirou o óculos escuro, e colocou novamente a mão na bolsa.

-Não existe alguma maneira, senhor, de revertermos esse mal entendido? Sabe, não queria problema com meu pai, nem beber nós bebemos hoje. 

          Toda aquela sensualidade não seria por acaso. Em mais alguns minutos de conversa, o dinheiro caiu acidentalmente no bolso da lei. Motores ligados, sorrisos de ambos os lados, aquela história que terminara por ali não tem apenas dois lados. Existe um sujeito oculto que não comentamos desde o começo do post; alguém que não saiu tão contente assim; a sociedade. 

          Engatando a primeira, a garota saiu sorridente e satisfeita; toda sua beleza e charme elevaram seu ego até os céus. Se bem que a grana ajudou um pouco, e ela sabe disso. O novato aprendeu bem como o sistema funciona, e funcionará sempre que ele estiver afim de tomar uma no fim de semana. Ficando para trás, observando o veículo se distanciando, o veterano continuava imaginando aquela jovem fazendo oral nele, algo que ele pensou desde o momento em que a abordou.

-Deixa esse comigo, esse tá rebaixado! - Disse o novato se adiantando e assinalando.
-Tá aprendendo, lobão. - Sorriu o veterano.

domingo, 19 de agosto de 2012

Insight- a moeda da fé.


- De onde você é, rapaz? 
- Sou de um interior longe, lá depois de serra talhada.

O cara de paletó preto abriu um sorriso morno. - É dele que precisamos, bispo. - Completou ainda sorrindo.

- Tá trabalhando, meu jovem?
- Não, moço. Tô buscando emprego por aqui pela cidade.
- Tenho algo melhor pra você, meu filho. Você vai fazer um trabalho aqui, e vai se mandar para o interior. E  é melhor não voltar pra cá pra cidade grande.

Naquela noite, o homem com o paletó preto subiu no palco. Falou sobre paz, sobre prosperidade. Cantou, gritou, deu cambalhotas. Naquela mesma noite, um rapaz do interior foi curado em pleno culto. O jovem tímido, chegou numa cadeira de rodas e saiu andando alguns segundos após a oração do pastor. Mais interessante do que o culto, fora os bastidores dele:

- Dez, vinte, trinta. Bispo, a merreca foi pouca hoje. Acerta com o garoto ali.
- Rapaz, vem cá. Tá aqui o acertado.
- Moço, o acordo foi o dobro!
- É, mas sua atuação não convenceu todo mundo! Muita gente achou que o milagre não aconteceu!

O garoto tímido do interior foi embora. Aquela foi a primeira vez que ele sentou numa cadeira de roda na vida. Mais uma noite de espetáculo se encerrou. 

sábado, 18 de agosto de 2012

A palavra "destino" e suas correntes.

                     Sentado estou, e aqui permaneço. Me delicio com a minha existência, na minha conexão com o exterior de forma única, tendo plena consciência de que eu e o universo ao redor somos um só. Saber que eu posso decidir meus caminhos, avaliar e tomar decisões, é algo que não pode ser substituído por nenhuma outra sensação. Mas, nem sempre as coisas foram assim aqui dentro.

                      Passei muitos anos da minha vida sendo mais um escravo do destino. Atribuía a ele minhas conquistas e derrotas, sem dar chance alguma ao acaso, ou as minhas decisões. Se eu escolho "A", tudo já estava previsto, e mesmo eu mudando de ideia na minha escolha, tendo como "B" o meu foco, também estava previsto no destino que eu mudaria de escolha. E onde fica o meu controle sobre mim mesmo e a minha vida? Porque não acreditar em acasos ou eventualidades? A predestinação de algum jogador de futebol que saiu da miséria para se tornar um milionário realmente se cumpriria se ele decidisse estudar e ser alguém de acordo com os 'padrões' de ideal da nossa sociedade? Será mesmo que ele nasceu com algum dom divino, ou de outras vidas, como dizem os espiritas? Ou tudo que ele será no tempo futuro, se concretizará por consequência de experiências, incluindo as inconscientes, que acontecem por trás da nossa percepção? 

                   Você não precisa se formar numa faculdade de letras para se tornar um poeta, e caso você consiga ser um poeta de nome sem nunca ter se matriculado no curso, porque não substituir a palavra "dom" por "capacidade"? A que tipo de ambiente você se expôs durante sua vida? Quais atividades você, inconscientemente, acabou tomando nota e absorvendo para si? Acho muito triste as pessoas apagarem o brilho da vida, colocando todo crédito nos deuses e no destino. Acho pouco demais cada ser que nasce aqui, e desenvolve sua consciência, passar a vida como um prisioneiro de uma mera palavra, que por um lado, une tantas pessoas, e por outro, os separa, tirando suas vidas consigo. 

                 Eu decidi ser o arquiteto da minha própria vida. Se o destino realmente existir, acho que ele deve ter uma equipe de busca enorme atrás de mim. Faz muito tempo que eu escapei das suas mãos, cavando um túnel dentro da minha sela. Ainda existem pessoas lá dentro, aquelas que eu deixei para trás. Espero, com todas as forças, caras, que esse blog seja a pá de cada um de vocês.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Dosando o senso crítico de ver para crer.



               Eu fui uma criança quase igual as outras. Tive certos traumas na minha infância, também tive muitos momentos felizes. Escolhi meus heróis, meus melhores amigos, meus bonecos prediletos. Eu cresci como qualquer outro jovem do Brasil. Sempre aceitei tudo que todo mundo tinha que aceitar, sempre tentei seguir o fluxo normal das águas: eu queria me formar, casar, ter filhos, uma bela esposa, um cachorro, e morrer velhinho numa cadeira quentinha enquanto os netos brincavam numa tarde de domingo. Na minha pré-adolescência eu acabei criando um hábito que carrego comigo até este exato momento onde teclo: eu comecei a me questionar. 

            No começo, eu precisava ver para crer. Buscava uma lógica ou uma razão para tudo. Tudo precisava ter um indício de materialidade, e por muitos anos, essa foi uma das minhas correntes. Durante meu processo para despertar, acabei me permitindo ser mais sensorial. Não tem nada es espiritual acontecendo nesse texto, tão pouco esse é o tema. Mas, meu caro, ao seu redor, existem centenas de mensagens subliminares que não querer, e nem tão pouco, vão aparecer para você. Mesmo assim, elas influem na tua vida, e nas tuas decisões. Então, muitas vezes, você simplesmente para e escreve algo que é a mais pura verdade, que esteve o tempo todo ali, só que ninguém nunca viu. E ai te chama de gênio, de inteligente, de foda. Quando na verdade você simplesmente está acordado agora. 

               Costumava dizer que a poesia não é feita com frases complicadas, versos belos ou uma escrita aperfeiçoada. Então, eu me corrigi, dizendo que não se faz poesia, ela está presente em todo lugar. Mas existem pessoas capazes de decodificar essa poesia em textos, em palavras, e estes são os que chamamos de poetas. Mas, meu caro, ao seu redor, existem muitos gramas de poesia em cada pessoa, em cada sorriso, em cada gesto, em cada som da natureza, ou em cada grão de poeira cósmica quando se olha para o nosso céu; a porta do universo que não conhecemos.

-É preciso dosar o nosso senso crítico. É preciso despertar. E depois, desperte outros. Capte o que acontece no seu universo, codifique isso de alguma forma interpretável, e acredite que isso seja materialidade o suficiente para despertar até o mais crítico dos críticos. 

" Poesia não é feita com frases complicadas, versos belos ou uma escrita aperfeiçoada. " Um dia depois, contradisse o verso com :

" Na verdade, não se faz poesia. Ela se encontra em todo lugar. Mas, algumas pessoas tem o dom de mostrar para outras onde a poesia se encontra. Estes são popularmente chamados de poetas. "
-Israel Dias

              Quando escrevi o segundo verso, eu me dei conta que nem todo mundo para para ver a lua, as estrelas, e se perguntar, ao menos uma vez; como eu vim parar aqui? Foi assim que eu iniciei meu processo para despertar, e dei rumo na minha paradoxagem,  e meu vício de formar palavras com o tempo "paradoxo". Em outro post eu conto como foi.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Insight- sobre um mercado de mentes.


                 É dia de festa num pequeno município aqui perto. Pessoas se aglomeram, muitas nunca viram nem ouviram nada sobre aquele cara. Caminhando, sorrindo, acenando para todos; eis o nosso candidato. Por dentro, eles contavam os minutos para cair fora, tinha uma reunião importante com alguns companheiros de partido. Daquelas onde se compartilha pouco conhecimento e muitos brindes com doses caras de uísque. Suor, calor humano, abraços e apertos de mão à parte, a reunião pós-carreata teve um assunto importante abordado.

- Cadê aquela menina? Aquela que você comia. Vai mesmo apoiar a candidatura dela? 
- Não tenho outra escolha. Se não fosse ela seria qualquer outro idiota mesmo. Ela é gostosa, dançarina dessas coisas, musa isso, musa aquilo. Um monte de marmanjo vai votar nela, e com isso, em mim também. 
-Você é um filho da puta muito inteligente. ( risos )
-Tudo vai depender desse concurso que ela participa. Se ela ganhar com muitos votos, eu dou meu apoio, faço alguma parceria com ela.

                O compasso daquela tarde fora as doses da bebida. Ela terminou quando o ponteiro da segunda garrafa já estava na metade. Depois de abraços cordiais, cada um pegou o seu veículo e infringiu a lei-seca até chegarem em suas residências. A menina gostosa ganhou o concurso e recebeu todo apoio necessário. Ficou entre uma das mais votadas mas não ganhou a eleição, enquanto seu patrono foi reeleito. Após eleição, os abraços, sorrisos e apertos de mão sumiram. Aquela rua onde a carreata aconteceu ficou intransitável, era mais fácil chegar na china em alguns daqueles buracos. A garota foi esquecida por todos que votaram nela, haviam novas gostosas na área, umas rebolavam mais gostoso do que ela fazia. E os problemas da sociedade continuaram por muito tempo.

                Esse conto não tem um final feliz, mas o final dele é o mesmo que você vive. Não é um conto sobre uma menina gostosa, ou dois políticos filhos da puta. É um conto sobre águas contaminadas que movem moinhos, e são usadas para regar plantações de pessoas. Quando chegar o momento certo, suas mentes serão colocadas à venda. É promoção, pessoal, estamos em eleição.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Insight- nos bastidores de uma grande corporação.


Três figuras ocupavam aquele ambiente. Olhos arregalados, charutos presos entre os dentes, sem perder o sorriso; mais pareciam caricaturas vivas. Vozes soberbas e roucas, risadas e tosses compassando o diálogo, pausas para apreciar as secretárias passando do outro lado do vidro fumê.

-Não queremos mais nenhum desses estagiários aqui conosco. Olhe para o canto da sala, lá no final, aquele novato. Ele é bem desenroladinho, mas já veio pedir reconhecimento. O cara quer ser contratado, quer um aumento. ( risos e tosses acompanhando )

-Bom, ele é o melhor entre os piores, Marcus. Pega ele, faz o teu jogo. Olha, contrata ele. Qual vai ser a diferença de salário e benefícios? O coitado não ganha metade do que precisaria para se sustentar. Veja pelo lado bom, isso vai motivar os outros a achar que podem ser como um de nós aqui dentro.

-Não gosto muito dele. Mas, vou seguir o seu conselho. Pobres coitados, acham que podem chegar até a diretoria. Opa, Cláudio está vindo, muda de assunto, ele é muito humanista.

-Fica tranquilo, só faz o que eu falei, contrata aquele cara, vai por mim. Esse Cláudio não foi aquele que foi promovido para depois ser demitido, né? Ele só tá aqui enquanto aquela gostosa não volta das férias, como é mesmo o nome dela?

- Shiiiii, ele tá entrando!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um Éden deturpado.


                  Iniciarei o post citando algo que eu eu disse anteriormente: "Analisando textos, frases, e entrevistas com diversos seres ímpares que contribuíram de alguma forma para o crescimento da sociedade, é possível notar características que todos carregamos quando crianças, e que, ao passar do tempo, acabamos deixando para trás em busca de algo mais palpável e racional. Em outras palavras, podemos dizer que essas características se resumem ao dom de sonhar." O que fazem os pais quando uma criança tenta ter alguma experiência, que para nós, é quase certeza de dar errado? Observo muitos pais repreendendo seus filhos por qualquer coisa. Não deixam que eles experimentem. Fazem com que, na sua pequena consciência em desenvolvimento, eles aprendam que devem desistir de tentar caso exista alguma chance de erro. 
             Sendo assim, aos poucos vamos aprendendo que não devemos errar, que o erro é algo feio, e que devemos fazer o correto, tentar minimizar as chances de erro. Sim, eu até acho isso um argumento válido. Mas, quando se trata da formação do caráter de um ser humano, reprimir as chances de um filho experimentar, de se expor, de querer e tentar suprir suas vontades e necessidades, por mudar por completo o tipo de pessoa que ele vai ser. Essa necessidade de se não errar, não pisar fora da linha, acaba encaixando as pessoas nos seus devidos postos na sociedade, como se coloca peças num tabuleiro de xadrez. Tal como no tabuleiro, alguém move essas pessoas. Alguém precisa que você deseje ser apenas mais um, alguém quer que você apenas siga o que todos fazem, sem pensar duas vezes sobre a origem daquele costume, se seria certo, errado, ou para quem seria conveniente que aquilo acontecesse.
             Então, porque não estimula-se a produção de um ser questionador? Porque nossas redes de ensino ensinam que A+B=C, mas não falam que podemos não precisar do A, nem do B. Talvez pudéssemos criar um elemento D, ou não? É assim que se cria os telespectadores perfeitos. Dessa maneira, criamos consumistas desenfreados, travestidos de pseudo-pensadores, donos e donas das suas vontades. Por outro ângulo, parceiro, existe um ditador jogando as peças do xadrez. É preciso tal objeto para ser aceito, e ele custa um certo valor. Talvez um tipo de tênis, relógio, ou um corte de cabelo. Um vocabulário bem arrastado, um estilo de jogada de corpo. Um jeans rasgado, criado por um retardado em algum atelier de moda. Talvez o modelo que ninguém usaria em plena consciência; um short de alguns reais, cortado, picotado, que passa a valer trinta vezes o seu preço. Se você pensasse um pouco, não o compraria. Mas, você não pensa.
               Você viu a verdade na televisão da sua sala. Viu aquela moça linda da novela com o short picotado, e quer o seu. Não importa o preço, custe o que custar. Não importa o seu salário. Você quer. E esse é o preço de educar os filhos de maneira pouco crítica ou contestadora. É o preço de querer se adequar numa sociedade doente e deturpada, com aspectos morais irrelevantes, e valores verdadeiros esquecidos. Eu não fugi do tema não, rapaz. Tudo começa na educação da sua criança. É ai que está a diferença entre criar um ser pensante, ou apenas mais um número para as grandes empresas e corporações, que governam este Éden onde vivemos.
                          

A gênese de um gênio.

          Enquanto algumas pessoas tentam viver conforme regras sociais, outras pegam seus lemes e começam a remar contra a correnteza. Céticos, contestadores, criadores da sua própria verdade; eis que vos apresento um texto sobre questionamentos, que abordam um pedaço da mente humana, em sua parte motivacional. O que nos fez, então, dar o próximo passo? 
           Analisando textos, frases, e entrevistas com diversos seres ímpares que contribuíram de alguma forma para o crescimento da sociedade, é possível notar características que todos carregamos quando crianças, e que, ao passar do tempo, acabamos deixando para trás em busca de algo mais palpável e racional. Em outras palavras, podemos dizer que essas características se resumem ao dom de sonhar. Todos essas pessoas desistiram de coisas materiais, palpáveis e lógicas, para seguir sua intuição interior, suas paixões, e seus sonhos. Lógico que muitos deles, se não todos, fracassaram. E os que tentaram novamente e novamente, chegaram lá. Michelangelo costumava dizer que " o maior perigo para a maioria de nós está não em fixar nosso objetivo muito alto e falhas, mas, sim em fixar nosso objetivo muito baixo e atingir nosso alvo." Adiantando-se no tempo até os dias de hoje, os pais adotivos de Steve Jobs queriam que ele terminasse a universidade. Até os dias de hoje existe essa necessidade de afirmação perante a sociedade. Como Jobs mesmo afirmou, " aos seis meses de curso, não conseguia ver valor naquilo. Não tinha a mínima ideia do que fazer da minha vida, e menos ainda, em como a faculdade me ajudaria a descobrir. Eu estava ali gastando todo dinheiro que meus pais economizaram a vida inteira. " Depois de se dar conta, Jobs caiu fora, acreditando " que tudo daria certo ".
               Não estou tentando dizer para cada um de vocês largarem tudo, até porque Steve não era um cara qualquer. Porém, não era tão diferente de qualquer um de nós aqui. Não necessariamente alguém lendo esse texto precisa ser um gênio, mudar o mundo de forma grandiosa como vários inovadores mudaram. Mas, mudar o mundo em pequenas partes, pode resultar em algum feito maior, num futuro próximo ou distante. Uma boa ação nunca será nula, é o que eu penso. Existe um princípio que eu procuro seguir. É algo bem antigo, mas e analisarmos com frieza, faz total sentido. Bruce Lee uma vez mencionou que nossa mente " é como uma xícara de chá. Nada se pode adicionar numa xícara cheia, sendo assim, esvazie sua xícara para provar do meu chá. ". O que Jobs fez durante a universidade? Ele decidiu abandonar as matérias que não lhe pareciam interessantes. Eliminando o que não lhe era essencial. E foi isso que o inspirou em alguns momentos durante a criação do iPod. " Diga não para mil coisas. "- Falando em buscar a simplicidade e sofisticação máxima, eliminando o desnecessário para que o necessário pudesse falar.
               Se o dinheiro for sua única motivação, suas chances de fracassar serão muito altas. Perseguir ideais com o objetivo de ficar rico pode ser, á princípio, algo promissor. Porém, a longo prazo, seu trabalho lhe parecerá uma escravidão. É como casar-se com alguma mulher por interesse. " Ser o homem mais rico no cemitério " -Jobs- te interessa tanto assim? O que eu estou tentando falar, é que todos eles falam de paixão. Uma das melhores definição de paixão que eu já vi na vida veio de Anthony Robbins, ele disse uma vez que " a paixão é a gênese do gênio ". Tá, ele pode até ser uma droga de palestrante motivacional, mas nisso, ele acertou. A paixão os fez acelerar quando era preciso desacelerar, os fez deleitar-se no próprio fracasso, procurando novas ideias, tirar proveito de algo, e de tudo, até mesmo do fracasso. Encontre alguém ou algo, " encontre alguma coisa que você goste muito de fazer, que não consegue esperar o sol nascer para fazer de novo. "- Chris Gardner. Sabe quem é o cara? Já assistiu " À procura da felicidade "? É o próprio. O cara que foi de sem-teto a multimilionário. Ele sabia no que ele era bom. E mudou o foco, inverteu o andar da carruagem, ele remou contra a maré.