terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um Éden deturpado.


                  Iniciarei o post citando algo que eu eu disse anteriormente: "Analisando textos, frases, e entrevistas com diversos seres ímpares que contribuíram de alguma forma para o crescimento da sociedade, é possível notar características que todos carregamos quando crianças, e que, ao passar do tempo, acabamos deixando para trás em busca de algo mais palpável e racional. Em outras palavras, podemos dizer que essas características se resumem ao dom de sonhar." O que fazem os pais quando uma criança tenta ter alguma experiência, que para nós, é quase certeza de dar errado? Observo muitos pais repreendendo seus filhos por qualquer coisa. Não deixam que eles experimentem. Fazem com que, na sua pequena consciência em desenvolvimento, eles aprendam que devem desistir de tentar caso exista alguma chance de erro. 
             Sendo assim, aos poucos vamos aprendendo que não devemos errar, que o erro é algo feio, e que devemos fazer o correto, tentar minimizar as chances de erro. Sim, eu até acho isso um argumento válido. Mas, quando se trata da formação do caráter de um ser humano, reprimir as chances de um filho experimentar, de se expor, de querer e tentar suprir suas vontades e necessidades, por mudar por completo o tipo de pessoa que ele vai ser. Essa necessidade de se não errar, não pisar fora da linha, acaba encaixando as pessoas nos seus devidos postos na sociedade, como se coloca peças num tabuleiro de xadrez. Tal como no tabuleiro, alguém move essas pessoas. Alguém precisa que você deseje ser apenas mais um, alguém quer que você apenas siga o que todos fazem, sem pensar duas vezes sobre a origem daquele costume, se seria certo, errado, ou para quem seria conveniente que aquilo acontecesse.
             Então, porque não estimula-se a produção de um ser questionador? Porque nossas redes de ensino ensinam que A+B=C, mas não falam que podemos não precisar do A, nem do B. Talvez pudéssemos criar um elemento D, ou não? É assim que se cria os telespectadores perfeitos. Dessa maneira, criamos consumistas desenfreados, travestidos de pseudo-pensadores, donos e donas das suas vontades. Por outro ângulo, parceiro, existe um ditador jogando as peças do xadrez. É preciso tal objeto para ser aceito, e ele custa um certo valor. Talvez um tipo de tênis, relógio, ou um corte de cabelo. Um vocabulário bem arrastado, um estilo de jogada de corpo. Um jeans rasgado, criado por um retardado em algum atelier de moda. Talvez o modelo que ninguém usaria em plena consciência; um short de alguns reais, cortado, picotado, que passa a valer trinta vezes o seu preço. Se você pensasse um pouco, não o compraria. Mas, você não pensa.
               Você viu a verdade na televisão da sua sala. Viu aquela moça linda da novela com o short picotado, e quer o seu. Não importa o preço, custe o que custar. Não importa o seu salário. Você quer. E esse é o preço de educar os filhos de maneira pouco crítica ou contestadora. É o preço de querer se adequar numa sociedade doente e deturpada, com aspectos morais irrelevantes, e valores verdadeiros esquecidos. Eu não fugi do tema não, rapaz. Tudo começa na educação da sua criança. É ai que está a diferença entre criar um ser pensante, ou apenas mais um número para as grandes empresas e corporações, que governam este Éden onde vivemos.
                          

Nenhum comentário:

Postar um comentário