O atelier do nosso artista tem cheiro de bebida. Jogado no sofá, ele não tinha ideia alguma de qual peça iria produzir para seu lançamento de verão. Toda essa cachaça já não lhe serve mais como fonte de inspiração, ele estava ficando velho, e não tinha mais nervos para isso. Falar sozinho, porém, ainda lhe parecia algo costumeiro:
- Eu sei o que eu vou fazer com você, seu pedaço de pano idiota!
E, em alguns segundos, estava pronto o novo modelo da sua coleção de verão. Um short de vinte reais, que acabara de ter os bolsos rasgados, e colocados para fora.
- Alguém vai usar isso, querido? - Seu ajudante entrava na sala, naquele exato momento. Segurou o short com a ponta dos dedos, como se segurasse um pano sujo, enquanto fez o comentário.
- Depende. Me passa o telefone do empresário daquela menina lá. Acho que ela pode me ajudar. - Respondeu, enquanto enchia mais um copo de cachaça.
Pois é, pois é. Aquela menina era atriz de alguma novelinha popular. Eis a fórmula do sucesso; um pseudo-artista idiota e bêbado, um pedaço de pano de vinte reais, ou menos, um contato interessante, e o tempo. O último ingrediente precisou apenas de dois dias. Após a aparição da garota com o trapo, cem mil unidades foram encomendadas. E ainda nem chegamos na inauguração da coleção de verão.
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