Está com a mão no mouse agora? Seus dedos repousam sobre o teclado? Imagino que seu teclado lhe pareça real, ou não? Você pode ver, distinguir cores nele, pode toca-lo, pode ouvir sons das suas teclas, quando são pressionadas. Porque não seria real?
Certo dia eu ouvi um conto. Não lembro quando, onde, e muito menos quem me contou. Existia um filhotinho de elefante na índia, cujo nome não é importante. Se você ficou curioso, posso da-lhe o nome de Abul. Sua mãe foi morta por caçadores, e Abul acabou sendo adotado por um senhor que morava num vilarejo. Para que o elefantinho não fugisse, ele fincou uma estaca qualquer na terra, e, com uma corda, amarrou Abul nela. Todo dia ele era bem cuidado e alimentado, e assim o tempo foi passando. De tempos em tempos, sua corda era substituída por uma maior, apenas para não ficar muito apertada, mas ainda sim, Abul não tinha muita mobilidade para sair e conhecer o mundo. Ficava sempre naqueles mesmos metros quadrados de tempos atrás. Então, Abul se tornou um elefante quase adulto, e perto de seu tamanho e força, aquela cordinha de nada atada numa estaca velha, nada seriam. Mas Abul nunca decidiu ir embora para seguir seus instintos e conhecer o mundo.
Não por falta de vontade, ou força. Existia um pequeno detalhe que podemos definir como o "princípio da realidade relativa". Abul cresceu acreditando que aquela estaca e uma corda velha poderiam prende-lo ali. E, mesmo com força o suficiente para palitar os dentes, por assim dizer, com aquela estaca, ele nunca conseguiu se libertar de lá. Vamos, então, substituir o nosso elefantinho por um ser humano. O que muitos consideram uma barreira real, que nunca pode ser atravessada, outros nem a visualizam. Existem correntes invisíveis que nos prendem, existem as emoções, perguntas, receios, e as leis, por exemplo. E muitos apenas existem aqui, vivendo de acordo com todas essas estacas e cordas. Talvez seja porque, tal como foi para o senhor que cuidou de Abul, alguém não tenha interesse que você se liberte.
Muito bom, Bruce!
ResponderExcluirSua técnica para estruturar um conto está cada vez melhor. Parabéns!
Só não gostei muito do conteúdo do finalzinho: "...alguém não tenha interesse que você se liberte.".
Esse trecho passa a ideia de "teoria da conspiração". Essa ideia não é uma boa ideia. Ela não retrata o mundo de forma precisa e leva as pessoas por ela influenciada a ter uma visão equivocada do mundo.