quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Princípio da realidade relativa.


               Está com a mão no mouse agora? Seus dedos repousam sobre o teclado? Imagino que seu teclado lhe pareça real, ou não? Você pode ver, distinguir cores nele, pode toca-lo, pode ouvir sons das suas teclas, quando são pressionadas. Porque não seria real? 

              Certo dia eu ouvi um conto. Não lembro quando, onde, e muito menos quem me contou. Existia um filhotinho de elefante na índia, cujo nome não é importante. Se você ficou curioso, posso da-lhe o nome de Abul. Sua mãe foi morta por caçadores, e Abul acabou sendo adotado por um senhor que morava num vilarejo. Para que o elefantinho não fugisse, ele fincou uma estaca qualquer na terra, e, com uma corda, amarrou Abul nela. Todo dia ele era bem cuidado e alimentado, e assim o tempo foi passando. De tempos em tempos, sua corda era substituída por uma maior, apenas para não ficar muito apertada, mas ainda sim, Abul não tinha muita mobilidade para sair e conhecer o mundo. Ficava sempre naqueles mesmos metros quadrados de tempos atrás. Então, Abul se tornou um elefante quase adulto, e perto de seu tamanho e força, aquela cordinha de nada atada numa estaca velha, nada seriam. Mas Abul nunca decidiu ir embora para seguir seus instintos e conhecer o mundo.

          Não por falta de vontade, ou força. Existia um pequeno detalhe que podemos definir como o "princípio da realidade relativa". Abul cresceu acreditando que aquela estaca e uma corda velha poderiam prende-lo ali. E, mesmo com força o suficiente para palitar os dentes, por assim dizer, com aquela estaca, ele nunca conseguiu se libertar de lá. Vamos, então, substituir o nosso elefantinho por um ser humano. O que muitos consideram uma barreira real, que nunca pode ser atravessada, outros nem a visualizam. Existem correntes invisíveis que nos prendem, existem as emoções, perguntas, receios, e as leis, por exemplo. E muitos apenas existem aqui, vivendo de acordo com todas essas estacas e cordas. Talvez seja porque, tal como foi para o senhor que cuidou de Abul, alguém não tenha interesse que você se liberte.

Um comentário:

  1. Muito bom, Bruce!
    Sua técnica para estruturar um conto está cada vez melhor. Parabéns!

    Só não gostei muito do conteúdo do finalzinho: "...alguém não tenha interesse que você se liberte.".
    Esse trecho passa a ideia de "teoria da conspiração". Essa ideia não é uma boa ideia. Ela não retrata o mundo de forma precisa e leva as pessoas por ela influenciada a ter uma visão equivocada do mundo.



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