Sessenta anos eu vivi, e o que eu vi? O que eu fui? Quem eu fui? Seis décadas vivendo uma realidade que eu nem sei de fato se é real. O que eu ouvi, o que eu li nos livros de história, o que eu pesquisei nas bibliotecas da universidade, tudo isso pode não ter sido real, pode ter sido manipulado. Eu fui mais um número na contabilidade mensal das grandes corporações. Para a construtora do apartamento que eu comprei, eu sou nada mais do que o valor que paguei por ele. O mesmo serve para todo o resto do mercado.
Por que eu preciso estudar e não posso ser um surfista? Quem foi que disse que eu preciso me trancar numa faculdade pra ter uma vida " digna " no futuro? O que você acha que é uma vida digna? De fato, eu não sou nada materialista, e não é nada digno pra mim viver sem entender a razão da minha existência. Ouço coisas como " cabelo bom " e " cabelo ruim ", e quem disse que algo é bom ou ruim, se somos a mesma raça com algumas variações étnicas? Quem disse que eu devo usar essa calça e não aquela em tal ocasião?
Sessenta anos eu vivi, e vi pouco menos do que quinze meras copas do mundo. Sessenta festas de são joão, sessenta dia dos namorados, sessenta míseros natais e eu acho que eu vivi o bastante. Eu nunca vi o mundo pelo lado de fora, nunca pousei na lua, nunca vi uma revolução de perto, não lutei nenhuma das guerras, não vi terremotos, maremotos, nem vulcões entrando em erupção. Nunca vi uma tsunami, e acho que já vi tudo que poderia ter visto. Tudo isso por viver da forma que todos querem viver, e não da forma que " um coração" que bate nos manda viver.
Não venha com essa de me dizer que você é especial. Você é um lixo, e quando menos esperar vai se tornar um pouco de cinzas num pote, ou um pedaço de carne podre num caixão de madeira bonito. E não venha me dizer que você está satisfeito, pois eu não estou. Eu nunca estarei. Eterna será a minha frustração de saber que não sei o que está por vir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário